Violência política de gênero cresce 11 vezes no Brasil em quatro anos

Violência política de gênero cresce 11 vezes no Brasil em quatro anos

Politica

O avanço da intimidação nas urnas

A participação feminina na política brasileira enfrenta um obstáculo crescente e alarmante. Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o número de processos abertos por violência política de gênero registrou um salto expressivo, crescendo mais de 11 vezes em um período de quatro anos. Enquanto em 2022 o sistema judiciário contabilizou 15 processos sobre o tema, o cenário de 2026 aponta para uma realidade muito mais grave: até setembro, já são 177 casos em tramitação.

Essa escalada não é apenas um número estatístico, mas um reflexo direto de um ambiente hostil que busca silenciar vozes femininas nos espaços de poder. O Ministério Público Federal (MPF) corrobora a seriedade do problema, tendo registrado 436 denúncias desde 2018. Dentre essas ocorrências, a violência moral lidera as estatísticas com 221 casos, seguida de perto pela violência psicológica, que compõe 40% do total de registros.

Impactos na estrutura democrática

A violência política de gênero atua como um mecanismo de exclusão deliberada. Ao intimidar candidatas e detentoras de mandatos, o agressor não ataca apenas a mulher individualmente, mas compromete a própria representatividade do sistema democrático. A ministra do TSE, Estela Aranha, destaca que o efeito é duplo: o afastamento daquelas que já ocupam cargos e o desencorajamento de novas lideranças que, ao observarem a hostilidade, optam por não ingressar na vida pública.

O Brasil, que ocupa a 135ª posição em um ranking de 184 países quanto à presença feminina no Parlamento, vê sua democracia fragilizada por esse cenário. Com apenas 17,5% de mulheres no Congresso e mais de 700 municípios sem qualquer representante feminina eleita, a violência atua como uma barreira que perpetua a sub-representação histórica, mantendo o país atrás de nações com regimes menos democráticos.

A interseccionalidade da violência

É fundamental compreender que a agressão não atinge todas as mulheres de forma uniforme. O recorte racial é determinante na análise desse fenômeno. Segundo pesquisa do Instituto Marielle Franco, que mapeou 77 casos entre 2021 e 2025, 87% das vítimas eram mulheres negras. Esse dado evidencia que o racismo e a misoginia caminham juntos como ferramentas de exclusão política.

Movimentos sociais e entidades de direitos humanos entregaram recentemente uma carta ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, denunciando o recrudescimento de ameaças de morte, ataques racistas e exposição de dados familiares de candidatas negras e LBTs. A cobrança por respostas efetivas do Estado é urgente, uma vez que a legislação brasileira, embora alinhada a diretrizes internacionais, ainda encontra dificuldades práticas para conter a violência que ocorre nas ruas e nas redes sociais.

Iniciativas de combate e conscientização

Em resposta a esse cenário, o TSE e o MPF lançaram a campanha Política é Substantivo Feminino. A iniciativa busca informar a sociedade sobre os danos causados por essas práticas e mobilizar o enfrentamento institucional. A coordenadora do grupo de trabalho de prevenção da Procuradoria-Geral Eleitoral, Raquel Branquinho, reforça que, embora as leis existam, o desafio central reside em garantir a segurança física e psicológica dessas mulheres.

Acompanhar a evolução desses dados e o impacto das políticas de proteção é essencial para quem deseja compreender o futuro da representação política no país. O portal A Notícia Chegou mantém seu compromisso em trazer análises aprofundadas sobre os temas que definem a nossa sociedade, garantindo que você esteja sempre bem informado sobre os desdobramentos da democracia brasileira.

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